Thunderbolts* (2025) entra no MCU com uma proposta diferente da fórmula mais confortável do estúdio. Em vez de se apoiar no heroísmo clássico, o filme reúne um grupo de figuras emocionalmente partidas e moralmente instáveis para construir uma narrativa onde ação, trauma e redenção andam lado a lado.
Dirigido por Jake Schreier, o projeto junta nomes como Yelena Belova, Bucky Barnes, John Walker e o enigmático Bob (Sentinela), explorando não só o choque entre eles, mas também as fissuras internas que cada um carrega.
Uma nova perspetiva dentro do MCU
O traço mais marcante do filme está no tom. Thunderbolts aposta num registo mais sombrio e introspectivo, trabalhando temas como trauma, culpa, redenção e saúde mental com mais frontalidade do que o habitual dentro do universo Marvel.
A performance de Florence Pugh como Yelena Belova é central para esse equilíbrio. A personagem continua a ter presença, humor e dureza, mas o filme dá-lhe também espaço para expor fragilidade, cansaço e uma dimensão emocional que sustenta grande parte da sua força dramática.
A introdução de Bob / Sentinela reforça essa mudança de tom. A luta interna da personagem entre poder, identidade e descontrolo não serve apenas como espetáculo. Funciona como metáfora para um MCU que, aos poucos, parece mais disposto a olhar para as suas figuras poderosas como pessoas quebradas e não apenas como peças de ação.
Porque é que o filme parece diferente
A principal diferença está no foco. Em vez de construir tudo à volta da escala e da piada, Thunderbolts dá mais espaço às relações entre personagens, ao desconforto moral e ao desgaste psicológico dos seus protagonistas.
Isso não significa que o filme abandone a energia de blockbuster. Significa apenas que o coração da narrativa está menos interessado em exibir poder e mais interessado em perceber o preço dele. Essa escolha torna o filme mais maduro, mais tenso e, em muitos momentos, mais emocionalmente eficaz.
O que isto muda para o futuro do MCU
O desfecho do filme aponta para uma reconfiguração relevante: os Thunderbolts passam a ser apresentados como os “Novos Vingadores”. Esse gesto não é apenas cosmético. É um sinal claro de que a Marvel quer abrir caminho para equipas menos previsíveis e para um modelo de liderança mais fraturado, menos heroico e mais instável.
Além disso, a presença de personagens como o Sentinela e as ligações sugeridas a futuras produções como Avengers: Doomsday e Secret Wars fazem de Thunderbolts um ponto de inflexão. O filme não serve apenas para encerrar um bloco narrativo. Serve para mostrar por onde o MCU pode evoluir quando deixa de procurar conforto e começa a aceitar maior ambiguidade.
Receção e impacto
A receção ajuda a perceber a força desta viragem. O filme surgiu com 88% de aprovação no Rotten Tomatoes, classificação média de “A–” no CinemaScore e uma bilheteira global na casa dos 177 milhões de dólares. Mais do que os números em si, o dado importante é outro: há espaço para propostas mais densas e menos convencionais dentro do MCU.
O público respondeu à profundidade dos personagens e ao risco temático. Isso mostra que a Marvel não precisa de repetir sempre a mesma arquitetura emocional para manter o interesse vivo.
Conclusão
Thunderbolts representa uma mudança de temperatura no MCU. Ao trocar o heroísmo mais limpo por anti-heróis marcados por trauma, culpa e ambiguidades, o filme abre uma via mais adulta, mais desconfortável e potencialmente mais rica para o futuro do universo Marvel.
Se esta for mesmo a direção dos próximos capítulos, então Thunderbolts pode acabar por ser lembrado não apenas como um filme diferente, mas como o ponto em que o MCU decidiu crescer para territórios mais arriscados.